domingo, dezembro 07, 2008

25 anos

25 anos invariavelmente representam algum marco digno de comemoração; é como se fosse propício o estabelecimento de uma espécie de acerto de contas: quando se comemora 25 primaveras, a partir de então o fragmento entre antes dos 25 - depois dos 25 se torna uma neo transição nítida com passe livre-mas-obrigatório da liberdade "deixo-a-vida-me-levar" pós adolescência, para "necessidade urgente de construir o futuro de maneira responsável" que a seriedade adulta é agraciada.

1/4 de século é uma idade curiosa - e acho que nem mesmo durantes meus 15-16 anos me senti numa balança que ora pende para um retrato de uma menina despreocupada, ora pende para uma atarefada mulher beirando os idos de Balzac. É como se na minha perna esquerda existisse uma meia colorida até os joelhos e meu pé calçasse um All Star sujo e furado; por outro lado e ao mesmo tempo, é como se a minha perna direita desvendasse uma meia 3/4 transparente e meu pé revelasse um Scarpin vermelho salto 12. Agora ficou mais fácil imaginar como me sinto?

Um treinamento para os trinta, uma despedida gradual dos vinte.

Não diria ser uma fase ruim. Pelo contrário, acredito que nunca me senti tão segura como agora. Aquela sensação de que finalmente cuido do meu nariz e de que as escolhas da minha vida dependem exclusivamente de mim - o que não é diretamente relacionado a uma atitude de independência física, afinal deixei o lar-doce (nem sempre)-lar há uns seis anos. É uma independência interior - uma auto libertação consciente das opiniões daqueles à minha volta, importando somente a minha vontade ao que diz respeito a minha vida. Nada de egocentrismo. Ou tudo de egocentrismo, mas de uma forma bem canalizada e nada pedante.

Há poucos meses eu recebi a notícia de que duas grandes amigas irão se casar (porém não uma com a outra hehe). Em julho ocorrerá ambas cerimônias e fiquei emocionada ao ser convidada para o posto de madrinha pelas moçoilas. Não muito além, uma outra grande amiga, que quando criança brincava tardes e tardes comigo rodeada por bonecas, me avisou que trocou as últimas por um bebê de verdade; aquela garotinha se transformou em uma mulher, e eu não havia percebido até então.

A vontade de crescer, a necessidade de crescer, a obrigação de crescer. Os filhos que viram pais, os pais agora avós. Primos que na lembrança permanecem na infância, mas já dirigem carros; o relógio biológico caminhando silencioso - tudo passa tão rápido que sequer é possível perguntar: é o momento exato de chegar lá? Cresci o suficiente para realizar algumas experiências ou a idade me cobra um posicionamento que talvez não condiz com a minha vivência interna atual?

25 anos, 25 pensamentos, 25 dúvidas, 25 respostas, 25 perguntas sem respostas, 25 tentativas, 25 chances de dar ou não certo; é como tenho me sentido nesta linha indefinida dos 20 e poucos. Com um salto agulha e uma mochila nas costas; um gloss escuro nos lábios e presilhas coloridas no cabelo, eu grito à Balzac que ainda vou levar mais um tempo para chegar...


2 comentários:

Adriano disse...

Com certeza uma idade invejável, visto que pras mulheres as coisas se dão mas cedo, essas dúvidas, essas inquietações e esse transtorno vísivel do "de que lado fico", menina ou moça, talvez seja exatamente essa mescla que definirá o equilibrio, nem uma coisa nem outra, mas as duas em uma só. No homem isso só se passa aos 30 anos, pra vc ver que homem é sempre mais lerdo em tudo, rsrsrs.
Como sempre um texto maravilhoso, essa inconstante do texto é muito viva em meu interior e são pessoas como vc que me ajudam verdadeiramente a me definir a cada dia.
Adorei o texto! Adoro você!
Acho o seu trabalho incrível e vc uma mulher maravilhosa!
Que essa mente questionadora e imaginativa continue nutrindo por anos a fio a mente sedenta de tantos famigerados do intelecto e tbm seus corações.
Grande Bjo pra ti Annelinda!
E mais uma vez Parabéns!!!

Rogers Silva disse...

ainda ñ cheguei lá, mas tou quase.

aos 23 passei por essas inquietações que você tão bem colocou no texto. os amigos casando, tendo filho, alguns com bons empregos, e eu nada - nem casado, nem filhos, nem bom emprego. aí bate o desespero - é aquela época em que você cresceu mas ainda não percebeu. as festas, as "minas", a bebida não são mais as preocupações, mas sim um emprego, o casamento, o dinheiro o dinheiro o dinheiro. mas é isso aí- faz parte, como diria bambam.